FELIZ 2017 LAGO PARANOÁ

December 31, 2016 in Principal, Sobre o Lago Paranoá

Guilherme Scartezini

Se não fosse o Lago Paranoá não sei onde estaria hoje. Entre outras coisas aprendi com as suas águas que não é preciso lutar contra todos os inimigos, pode-se contorna-los respeitando as diferenças e seguir adiante com nossas convicções. Por esse e tantos outros motivos, foi triste saber através das CIANOBACTÉRIAS como temos tratado mal suas águas.

Segundo relatório publicado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) em 22/12/2016: “Conclui-se que a proliferação de cianobactérias no Lago Paranoá não está vinculada a um único fator, mas à combinação de diversos fatores naturais e provocados pelas ações humanas, e que estão intimamente relacionados com o uso e ocupação que são feitos do solo em toda a bacia do Paranoá, há muitos anos, tais como ocupações irregulares, desmatamento, impermeabilização do solo, lançamento de esgotos tratados e não tratados”

O lixo e o esgoto rico em micro-organismos e fósforo que é jogado nas ruas ou lançado clandestinamente nas galerias de águas pluviais, com o início das chuvas desce por elas até o Lago Paranoá e essa porcaria toda alimenta as cianobactérias que se espalharam por mais de 5km do Lago Sul, podendo causar problemas ambientais e de saúde pública.

Segundo especialistas existem cerca de 2.000 espécies de cianobactérias e mais de 40 delas produzem cianotoxinas, que podem causar efeitos neurológicos, dermatológicos e hepatotóxico.

Embora o aumento das cianobactérias na água possa ocorrer de forma natural esse não foi o caso da poluição do lago em dezembro de 2016. Em plena capital onde vários órgãos públicos e nós mesmos deveríamos cuidar da nossa água, que para nós é vida, o lançamento de lixo, esgotos domésticos, industriais e agrícola, provocaram um fenômeno chamado eutrofização.

A eutrofização acontece quando a água recebe grande quantidade de nitrogênio e fósforo levando a redução do oxigênio e a morte de peixes. A eutrofização causou a floração, ou o aumento descontrolado de cianobactérias na água.

Ao tornarem a água mais turva as cianobactérias provocam um processo de desoxigenação e a produção de substâncias altamente tóxicas que alteram a cor e o gosto da água. Essas toxinas podem levar a morte rápida de animais por parada respiratória ao ingerirem essa água contaminada.

As cianobactérias também podem causar sérios problemas de saúde pública, como o que ocorreu em Pernambuco em 1996, quando 60 pacientes de uma clínica de hemodiálise morreram após apresentarem um quadro de intoxicação no fígado. A investigação concluiu que as mortes ocorreram devido a presença de cianotoxinas na água da clínica utilizada no tratamento do sangue dos pacientes.

Os casos de poluição da água provocada por diferentes ações humanas continuam a se multiplicar ao longo da nossa história, como em 2015 na bacia do Rio Doce, onde o rompimento da Barragem do Fundão, pertencente a mineradora SAMARCO, lançou milhões de litros de lama de rejeito em mais de 800km do rio e seus afluentes, até chegar no mar e se espalhar por mais de 200km do nosso litoral.

Na semana passada estive no município de Mariana onde a tragédia aconteceu e pela primeira vez vi um rio morto. Gualaxo é o seu nome. Em todo o seu percurso até desaguar no Rio Doce não há vida em suas águas. Que tristeza…

Mas infelizmente a mineração não é a única fonte de poluição dos rios da região, a falta de tratamento de esgoto também, como no rio Brumado que tem uma linda cachoeira, atrativo turístico que junto com o artesanato de pedra sabão e tapetes de sisal gera emprego e renda para os moradores de Cachoeira do Brumado, agora com água imprópria para o banho.

Junto com a organização internacional Green Cross, que desenvolve o programa Água para Vida em mais de 30 países, a associação de moradores de Cachoeira do Brumado, o governo municipal de Mariana e outras organizações que atuam na região, vamos implantar as fossas sépticas biodigestoras da EMBRAPA, nas casas dos moradores do município, começando pela Escola Estadual Dona Maparata, onde estudam 600 alunos entre crianças, jovens e adultos.

É um trabalho de formiguinha. Mas temos esperança de que não só os desastres ambientais, mas também iniciativas como essa possam tocar o coração dos brasileiros e na festa de ano novo de 2018 tenhamos mais motivos para celebrar a vida, que só existe porque existe água.

amigos-do-lp-2017

Arte: Patrícia Mezzaroba Scartezini

 

Amigos dos Amigos convidam a comunidade para plantar

November 4, 2016 in Principal, Sobre o Lago Paranoá

Está chegando a hora de plantar…
É isso mesmo, a comunidade está convidada a comparecer amanhã, sábado 05/11, a partir das 9h, na Quebra da 13 do Lago Norte, para plantar o Bosque do Rosal. Leve toda a família e sejam todos cidadãos ecológicos.

Veja aí como chegar na Quebra da 13.

quebra-da-13-imagem-de-satelite

Amigos dos Amigos na Quebra da 13

October 28, 2016 in Principal, Sobre o Lago Paranoá

Na próxima semana, sábado dia 05/11/2016, os Amigos do Lago Paranoá se juntam aos Amigos da Quebra da 13 em mais um reflorestamento da Parque da Quebra da 13.

No parque, muito frequentado pelos moradores do DF para a prática de esporte e diversão, a comunidade vem realizado um programa de recuperação de área degrada.

Dessa vez além do plantio de 138 espécies frutíferas e do cerrado os amigos também homenageiam Celso Rosal, fundador e ex-coordenador do movimento Amigos da Quebra da 13 que em setembro foi pro andar de cima e agora de lá, com sua energia do bem, tem inspirado os companheiros(as) a plantarem árvores, sonhos, solidariedade, amor e a esperança que outro mundo é possível.

Se você curte o Lago Paranoá essa é a oportunidade de adotar uma árvore, adubá-la e irrigá-la regularmente até que sua sombra e seus frutos façam  alegria das atuais e futuras gerações.

Não fique fora dessa: 05/11/2016 a partir das 9h da manhã, na QL 13 ao lado do Hospital Sarah.

Te esperamos por lá!

CIRCUITO DAS PRAIAS DO LAGO

June 15, 2016 in Principal, Sobre o Lago Paranoá

Com o apoio de ONGs e parceiros nasce o projeto “Circuito das Praias do Lago

Guilherme Scartezini

CIRCUITO DAS PRAIAS DO LAGO

Circuito das Praias - Parque Asa Delta

O ponto de partida para a criação do Circuito das Praias do Lago foi o desejo do Movimento de contribuir para a implantação de áreas públicas de acesso ao lago que sejam seguras, onde serviços, atividades esportivas, culturais, turísticas, educacionais e locação de equipamentos náuticos sejam regularizados. Uma antiga reivindicação dos moradores de diferentes bairros e cidades e das empresas e profissionais, que atuam na orla do lago.

Enquanto debatíamos o tema com os associados fomos convidados a participar de outro projeto: a construção de um aquário em Brasília.

O primeiro passo foi a realização de uma reunião no IBRAM onde o Movimento e ONGs parceiras conversaram com gestores do órgão sobre o desejo de implantarem um projeto de turismo, esporte, educação e cultura, na orla do lago.

Os gestores do IBRAM nos informaram sobre os planos do GDF de terceirização de parques da cidade e nos convidaram a participar do I SeSUC, promovido pelo IBRAM em dezembro do ano passado. No evento conhecemos as experiências de gestão terceirizada de parques do ICMBio: Paineiras (RJ), Fernando de Noronha (PE) e Cataratas do Iguaçu (PR).

A partir das experiências de gestão desses parques criamos um projeto que interliga através do turismo náutico inicialmente os parques Asa Delta, Ermida D. Bosco, Garças e Vivencial do Lago Norte.

O projeto urbanístico para os parques teve duas preocupações básicas. Primeiro, oferecer produtos e serviços a preços acessíveis também a população de baixa renda e segundo, fazer isso viabilizando a participação dos micro e pequenos empresários, que hoje são os responsáveis pela oferta de produtos e serviços a preços populares, na orla do lago.

PLANTA BAIXA DO PARQUE ASA DELTA

mapa final r04

Para atingir esse duplo objetivo o primeiro passo é instalar as atividades de comércio e serviços em contêineres, adotando um modelo que além de bonito e funcional também é acessível aos micro e pequenos empresários, que hoje atendem o cidadão de forma precária e não regulamentada em vários trechos da orla ou ainda, nos clubes, onde esses serviços ficam disponíveis só aos associados ou com restrições ao atendimento do público em geral.

CONTÊINERES MODELO

Dupla de containers

Na segunda etapa, propomos a construção de aquário, auditório, galpão náutico, bicicletário, viveiro de plantas, investimentos para médios e grandes empresários.

 

A criação deste projeto só foi possível a partir do trabalho voluntário dos amigos:

Dr. Elias Motta – Advogado, pedagogo e cientista social (IPDE/Green Cross)

Luiz Antonio Reis – Economista (IPDE/Green Cross)

Paulo de Tarso – Biólogo (Acqua Mundo Guarujá-SP)

João Lucas S. Flores – Graduando em arquitetura (UnB)

Guilherme Scartezini – Sociólogo (Movimento Amigos do Lago Paranoá)

 

Agora, para aperfeiçoar o projeto e obter apoio para a sua realização pretendemos incorporar críticas e sugestões da comunidade, empresas e organizações, através de audiências públicas em cidades e bairros onde a população quiser conhecer e participar da iniciativa.

Se você, sua empresa ou organização quiser participar ou colaborar com o projeto cadastre-se no site e nos envie um e-mail escrevendo no “campo assunto”: Eu quero o Circuito das Praias do Lago. Depois conte resumidamente como você gostaria de participar ou colaborar. Este é um projeto de iniciativa popular e trabalho voluntário e toda ajuda será bem vinda. Participe!

Precisamos de salões e auditórios para realizar as audiências públicas e se você tiver gente interessada em participar e um lugar no seu bairro, entre em contato para agendarmos uma audiência.

AMIGOS DO LAGO PARANOÁ: PELO USO PÚBLICO E SUSTENTÁVEL DO LAGO!

A canoagem oceânica nos 56 anos de Brasilia

April 24, 2016 in Principal, Sobre o Lago Paranoá

Guilherme Scartezini.

E mais uma regata coloriu o Lago Paranoá na semana dos 56 anos da capital.

.

Agora foi a vez da canoagem oceânica. A regata contou com mais de 90 remadores e as equipes de São Paulo fizeram a festa faturando os três primeiros lugares na colocação geral.

           

A canoagem faz parte da cultura da cidade desde os anos 80 como explica o primeiro presidente da Federação Brasiliense de Canoagem -FBCA, Fernando Japiassu e Darci de Souza, atual vice-presidente da Confederação Brasileira de Canoagem -CBCA, conta que o crescimento do esporte é fruto da organização das associações, federação e confederação.

                                                 

 

DOZE MALUCOS(AS)  RIO ABAIXO

November 29, 2015 in Principal, Sobre o Lago Paranoá

Guilherme Scartezini

Assim foi o sábado dos(as) paranoeros(as) que levaram três horas e meia descendo o Rio Paranoá passando pela sua foz no São Sebastião, até a Fazenda Taboquinha.

Chácara Águas Brancas - Fazenda Taboquinha

 

Por volta das 10:30 o grupo de amigos(as) partiu da Chácara Águas Brancas, logo depois da Barragem do Paranoá, a caminho da Fazenda Taboquinha. Em nosso grupo havia tanto marinheiros de primeira viagem, quanto canoístas experientes, que sempre acompanham os grupos tornando a aventura segura. IMG-20151128-WA0003

Para um grupo heterogêneo o caiaque mais seguro para que uns e outros possam se ajudar a descer as corredeiras é o de plástico, que pelo formato são carinhosamente chamados de saboneteiras.

IMG-20151128-WA0077 IMG-20151128-WA0043

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim, com algumas viradas e arranhões a aventura foi um sucesso. Em um passeio como esse além do barco, remo, colete, capacete, protetor solar, roupa de banho, calção, camiseta, sandália franciscana sintética é importante também levar uma sacola estanque. A sacola serve para levar uma roupa seca, carteira, documentos, frutas e qualquer outro lanche, caso a fome chegue antes da Fazenda Taboquinha. Andar juntos de forma que o último possa ver o primeiro é outra regra de segurança importante, bem como, levar um kit de primeiros socorros com água oxigenada, mercúrio, algodão, esparadrapo, gaze, dorflex e anti-térmico. Além do kit de primeiros socorros que pode ser coletivo, cada participante deve levar sua medicação caso faça uso diário. Para a comemoração de um ano de tantos desafios descer as corredeiras do Paranoá até o São Bartolomeu teve uma sabor especial para cada um de nós. O rio ainda guarda uma mata ciliar em bom estado de conservação nas chácaras de lazer, ao longo dos 26Km percorridos a uma velocidade média de 8km/h.

IMG-20151128-WA0056

Ao desembocar no Rio São Bartolomeu ficamos surpresos ao constatar que o Paranoá é mais caudaloso, enquanto a água do primeiro é mais turva. Mais apenas em um pequeno trecho próximo a esse encontro o lançamento de uma estação de tratamento de esgoto deixa um odor mais forte no ar, que não dura nem um minuto.

Descer o Paranoá no período da chuva é mais bonito, a mata está mais verde e frondosa, o rio esta mais cheio e a força da água leva o lixo embora. No período da seca com menos água correndo o lixo que lançamos em suas águas se deposita nas margens e a paisagem já não é a mesma, com a folhagem das árvores em um tom mais pastel.

O mais importante desta aventura além de voltar para a casa com um sorriso no rosto foi constatar que o Paranoá e o São Bartolomeu estão bem vivos. Em nenhum momento encontramos sinais de um assoreamento mais intenso como é muito comum onde a expansão urbana ou a atividade agropecuária desrespeitam os limites da Área de Proteção Permanente (APP). Por outro lado, a presença de pequenos grupos pescando revelaram que a fauna aquática do rio ainda anima os pescadores de fim-de-semana.

A partir de Dezembro, os Amigos do Lago Paranoá e a Caiaque Sport estarão realizando aventuras como esta com grupos de até 20 pessoas. A expedição de 26km será para pessoas entre 18 e 50 anos com um bom condicionamento físico e já iniciadas na prática da canoagem, enquanto trechos com menos de 10km estarão abertos as pessoas que já tiveram oportunidade de remar, estejam em bom estado de saúde e  que já tenham ou não participado de alguma atividade de turismo de aventura.

Se você vai passar as férias de verão em Brasília vale a pena conferir essa aventura. Cadastre-se no nosso site (http://amigosdolagoparanoa.com.br/cadastro-de-associados-ocip/) e escreva no campo de observação: Quero descer o Paranoá. Idade, altura, peso e telefone de contato. Assim que organizarmos os próximos grupos faremos contato.

Feliz natal e um 2016 de muita saúde, paz e prosperidade.

AXEFORALL!

DEVEMOS BEBER ÁGUA DO LAGO PARANOÁ?

July 30, 2013 in Principal, Sobre o Lago Paranoá

DEVEMOS BEBER ÁGUA DO LAGO PARANOÁ?

(Guilherme Scartezini)

 A Agência Nacional de Água já concedeu uma outorga para a CAESB captar e distribuir a água do lago e o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) que deve analisar os prós e contras do Sistema de Abastecimento de Água com Captação no Lago Paranoá acaba de ser concluído pela empresa NCA.

Não só o estudo foi concluído como amanhã das 9 às 12h, no auditório da Administração Regional do Lago Sul, localizado na SHIS QI11 – Área Especial 1 será realizada a audiência pública que discutirá o estudo e seu respectivo Relatório de Impacto ao Meio Ambiente – RIMA.

O licenciamento ambiental do Sistema de Abastecimento de Água com Captação no Lago Paranoá é um assunto da mais alta importância para a população do DF e para a preservação do lago, a legislação determina que o evento seja divulgado em veículos de comunicação de grande circulação e segundo Maurício Ludovice, Superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da CAESB, isso foi feito, mas no contato que os Amigos do Lago Paranoá fizeram com a imprensa ninguém sabia disso.

Por outro lado, com capacidade para cerca de 100 pessoas o auditório da Administração do Lago Sul não é o  local ideal para acolher um público do tamanho da importância do assunto, que interessa aos moradores desse bairro tanto quanto aos cidadãos de todo o DF.

Por fim, para que os cidadãos possam contribuir com o debate é preciso ter acesso ao EIA ou pelo menos ao RIMA, uma versão enxuta do primeiro para divulgação junto ao grande público, e os interessados podem conferir o trabalho através do link:

http://www.caesb.df.gov.br/8-portal/noticias/278-26-06-13-audiencia-publica-do-eia-e-rima-referente-a-captacao-de-agua-no-lago-paranoa.html

 

Embora me interesse muito pelo assunto só ontem soube da audiência e só hoje a tarde encontrei o estudo que precisa responder a varias perguntas, tais como:

 

1)     Foi avaliada compatibilidade da captação de água que a CAESB pretende construir próxima a barragem com o projeto das três novas quadras do Lago Sul que o GDF também pretende construir nas proximidades do Parque da Ermida Dom Bosco?

2)     As novas quadras terão um sistema de saneamento básico antes da venda dos lotes?

3)      Onde será lançada a galeria de água pluvial dessas quadras para que não interfiram na qualidade da água captada?

4)     Foi realizado o estudo sobre a hidrodinâmica do lago, para que em caso de acidentes que resultem em derramamento de esgoto, combustível ou qualquer produto tóxico, se saiba como esses produtos se deslocarão dentro do lago e assim, que riscos podem representar para a captação de água da CAESB?

5)     A quantidade de água que será captada é compatível com os outros usos do lago mesmo em caso de secas severas e ainda, considerando o acelerado processo de assoreamento do lago e seus principais tributários?

6)     O empreendimento prevê investimentos no sistema de fiscalização hidrossanitária da CAESB visando à redução de lançamentos de esgotos clandestinos no lago, seus tributários e nas galerias de águas pluviais, considerando o aumento do risco a saúde pública no momento em que a água passa a ser consumida pela população?

Essas são apenas algumas questões que precisam ser respondidas pelo estudo, que segundo a legislação também deve incorporar críticas e sugestões da comunidade. Nesse sentido, muitos empreendimentos de porte como esse vêm realizando oficinas participativas, eventos onde antes da audiência pública as lideranças da comunidade são convidadas a debater os projetos e suas sugestões, de forma negociada, são incorporadas ao estudo.

Audiências públicas com divulgação deficiente e pouca informação sobre os resultados dos estudos de impacto ambiental, embora possam atender a legislação também podem ter seus resultados questionados em outros fóruns, como tem acontecido com projetos de grandes usinas hidrelétricas no norte do país, por isso a importância do diálogo e da negociação com a população.

Segundo o Superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da CAESB a solução para o futuro do abastecimento de água do DF é baseada na captação do Lago Paranoá, no Lago de Corumbá IV e no Rio Bananal, mananciais que passam a ter uma legislação ambiental mais rígida quando fornecerem água para a população, o que contribuirá para a sua preservação.

O argumento é válido, mas a lei determina que também é preciso ouvir a comunidade e amanhã é a oportunidade de darmos nossa contribuição, compareçam.

GDF e atletas discutem o novo Decreto sobre o Lago Paranoá

September 5, 2012 in Principal, Sobre o Lago Paranoá

GDF discute com atletas o novo decreto para a prática de esportes náuticos no Lago Paranoá.

 

Na terça-feira (04/09) em reunião com atletas do remo, canoagem, stand up, kite surf e vôo de asa delta rebocado por lancha, o GDF discutiu detalhes do novo decreto que estabelecerá regras para a prática desses esportes.

Algumas regras serão válidas para todos os esportes, como a diferenciação entre os usuários: altetas (profissional e amador), praticantes e turistas.

O GDF entrará em acordo com as entidades esportivas para estabelecer normas, critérios de credenciamento, requisitos mínimos para a prática do esporte e punições, que serão válidas para atletas e não atletas. Caberão as federações e associações esportivas classificar e credenciar seus atletas, responsabilizando-se pela treinamento dos afiliados para que aprendam e respeitem as novas regras.

A área preferencial para a prática do remo, da canoagem e do stand up será uma faixa de 100 a 200m a partir da orla. As travessias de uma margem a outra do lago  deverão ser realizadas exclusivamente nos corredores de segurança, criados pela Marinha e devidamente sinalizados. Nesses corredores, caiaques, barcos a remo e pranchas terão preferência e as embarcações motorizadas e a vela deverão respeitar a velocidade, que será fixada entre 3 e 5 nós.Para que possam sair de suas áreas preferencias os atletas precisarão estar acompanhados por uma embarcação de apoio.

O principal equipamento de segurança será o colete salva-vidas,  exceto para os praticantes de stand up, que deverão usar um cabo conhecido como slesh, que é amarrado ao tornozelo e a prancha. Para atividades noturnas também será exigido um pequeno sinalizador de LED que pode ser fixado na cabeça do atleta.

kite surf terá uma área preferencial na ponta da Península dos Ministros com 400m de largura a partir da margem e os praticantes deverão utilizar coleletes salva-vidas.

Todo esporte rebocado por lancha, como o Wake Board, Wake Surf, Esqui e modalidades especiais de Para-quedas e Asa Delta, deverá ser praticado na mesma área preferencial das lanchas e veleiros, que começa depois de 100 ou 200 metros da margem.

É preciso ressaltar que o Decreto também permitirá a prática de diferentes esportes e o movimento de embarcações para além de suas áreas preferenciais, em eventos devidamente agendados com o GDF e a Marinha.

Segundo Reinaldo Gomes, Chefe da Coordenadoria de Articulação Intergovernamental do GDF, que está a frente do processo de discussão com a comunidade, o balanço do debate é muito positivo, todos os grupos estão sendo ouvidos e outras reuniões bilaterais e audiências públicas serão realizadas em setembro.

Para os amigos do Lago Paranoá o debate com a comunidade está de acordo com   princípios democráticos, mas pode ser aperfeiçoado. A comunidade além de ouvida       também poderia partcipar do processo de tomada de decisão que hoje cabe exclusivamente a um Grupo de Trabalho formado por 13 membros do GDF e da Marinha.

Para os insatisfeitos com o resultado do debate, conforme lembrou um participante    da reunião bilateral de 04/08, existe o Ministéro Publico ou ainda, a Câmara Legislativa. Mas nada como uma boa conversa para alcançarmos o objetivo comum do uso público, seguro e sustentável do Lago Paranoá.

Plano de Ocupação e Uso do Lago Paranoá

August 31, 2012 in Principal, Sobre o Lago Paranoá

Saiba como o Plano de Ocupação e Uso do Lago Paranoá vai mexer com vida dos moradores do DF. E dos turistas também.

“O Plano de Ocupação e Uso do Lago Paranoá visa regulamentar a utilização e ocupação do lago, estabelecendo regras em comum para empreendimentos, atletas, embarcações e toda a população que utiliza o lago”. Assim dizia o convite da primeira audiência pública realizada pela Secretaria de Estado de Governo do GDF, para representantes de federações, clubes, agremiações, marinas e nadadores.

Segundo Reinaldo C. Gomes, Chefe da Coordenadoria de Articulação Intergovernamental, a audiência da quarta-feira (29/08), onde foi apresentada a “Minuta do Decreto de Segurança do Uso e da Ocupação do Lago Paranoá”, foi apenas a primeira de uma série que o GDF pretende realizar no Distrito Federal. 

O objetivo das audiências públicas será colher sugestões para o aperfeiçoamento do Decreto, que segundo o coordenador, até o momento possui apenas a visão do governo sobre a segurança do uso e ocupação do lago, mas de acordo com a política de governança participativa do governo, agora também deverá ser debatido com a população.

A sugestão dos Amigos do Lago Paranoá para o aperfeiçoamento da política de governança participativa do GDF é que representantes de organizações não governamentais ligadas ao tema também tenham direito a cadeiras no Grupo de Trabalho que está elaborando o Plano de Gerenciamento do Lago Paranoá.

O Decreto apresentado pelo Capitão de Mar-e-Guerra Mamede N. de Queiroz possui 122 artigos que tratam basicamente do tráfego de embarcações e da segurança dos usuários do lago. A primeira versão do documento contou com a colaboração de outros oficiais da Marinha, do Batalhão de Polícia Militar Ambiental, dos Bombeiros, de vários setores do GDF e do governo federal, que se manifestaram em uma centena de reuniões realizadas ao longo de 2011.

A proposta está de acordo com a Lei do Tráfego Aquaviário e a Lei de Salvaguarda da Vida no Mar e servirá para que a Marinha fiscalize o tráfego de embarcações e garanta a segurança no lago. O documento apresentado deve agora incorporar sugestões dos participantes da audiência e em breve será disponibilizado na internet para o conhecimento da população, mas você já pode conhecer a versão da minuta apresentada através do link: versão da minuta

O Plano de Uso e Ocupação do Lago Paranoá não deverá tratar apenas de questões de tráfego e segurança, mas segundo Reinaldo Gomes também do uso público do lago e em uma segunda etapa, das questões ambientais.  A expectativa da comunidade é que o debate ambiental não deixe de fora o problema da especulação imobiliária e da ocupação irregular tanto nas margens do lago, quanto nos rios que o abastecem. Apesar de ser uma questão espinhosa, essa ocupação é responsável em grande parte pelos problemas de assoreamento e restrição do acesso público ao lago.

Visto dessa forma, o plano de ocupação e uso do lago poderá afetar a vida de todos os cidadãos do DF e também daqueles que visitam a capital. Principalmente devido a eventuais impactos sobre a qualidade da água, que segundo a outorga (2009) dada pela ANA (Ag, Nacional de Águas) a CAESB  (Comp. de Água e Esgoto de Brasília), chegará as nossas torneiras a partir de 2014.

As questões de segurança e tráfego no lago receberam várias sugestões e críticas dos representantes de diferentes associações e federações esportivas, marinas, clubes, cooperativas de pescadores e operadoras de turismo náutico que participaram da audiência. Para discutir essas propostas ficou acordado com o GDF a realização de audiências bilaterais com cada grupo.

Segundo Beatriz G. Borges, presidente da ABARE (Ass. Brasiliense das Agências de Turismo Receptivo), o Decreto não trata dos principais problemas do turismo náutico apesar do interesse do GDF em desenvolver o setor. 

Outro grupo que apresentou suas sugestões foi o recém criado comitê que reúne algumas associações e federações de esportes náuticos. Segundo representantes do comitê é preciso tratar de forma distinta o esporte amador do esporte profissional, a prática esportiva comercial da prática esportiva de laser e ainda, adequar às normas a realidade do tráfego de embarcações motorizadas no lago, sempre muito maior nos finais de semana e feriados.

Cada atividade, como natação, vela, moto náutica, remo, canoagem, standup, kite surf e banana boat, teve estabelecida suas normas de segurança, locais destinados a sua prática, distância da margem em que podem ser realizadas, locais e normas para a realização de competições.

Com apoio dos atletas presentes, o representante do mergulho profissional em Brasília criticou o excesso de burocracia que o Decreto impõe a sua atividade  e também, algumas falhas na elaboração das normas de segurança, que segundo Ricardo Gomes, o GDF espera contar com a colaboração desses profissionais para aperfeiçoar as normas sugeridas ou criar novas.

Para alegria do cidadão que não frequenta os clubes à beira do lago, o plano também   propõe a regularização e instalação de equipamentos de segurança em sete praias de uso público:

I – SHIN QL 11 – Lago Paranoá Norte;                      V – Praça dos Orixás;

II – Prainha do Lago Paranoá Norte – ML 05;              VI – Praça da Ponte JK;

III – Orla da Ermida Dom Bosco;                                VII – Cais da Concha Acústica.

IV – Península dos Ministros;

O Decreto é detalhista na divisão de atribuições e na concepção da ação coordenada entre os diversos órgãos públicos que atuam no lago, uma iniciativa que contribuirá para reduzir os acidentes que cresceram junto com o número de embarcações.

Como representante dos Amigos do Lago Paranoá, também tive oportunidade de chamar a atenção para a ausência de artigos e normas específicas para assegurar a preservação dos recursos naturais do lago. 

Participar das audiências públicas sobre o Plano de Uso e Ocupação do Lago Paranoá é a oportunidade que os cidadãos têm de fazerem suas críticas e sugestões. Quem não tiver oportunidade e quiser dar a sua contribuição leia o decreto e faça seu comentário de no máximo 20 linhas no campo comment (canto inferior direito desta página), informando nome, ocupação profissional e o número do artigo a que ele se refere, que encaminharemos à Coordenadoria de Articulação Intergovernamental do GDF.

Associe-se aos Amigos do Lago Paranoá. É totalmente grátis e as atuais e futuras gerações agradecem.