UM APRENDIZ

June 29, 2016 in Sobre o Lago Paranoá

Guilherme Scartezini

A vida é uma grande escola e os professores estão por toda parte. Tenho sorte de ter três, só em casa! Com eles aprendo sobre solidariedade, amor, paciência, humildade e muitas outras coisas essenciais para minha evolução como ser humano.

Arthur e Marco - assinatura fotoEu e Cláudio - assinatura foto

 

Outra professora muito importante ao longo da minha vida tem sido a água e o forte dela é ensinar sobre o silêncio e a perseverança. Com ela tenho feito um curso de longa duração e ainda bem que é paciente, porque tenho muito a aprender.

O sol é outro professor de primeira que comparece diariamente na escola da vida. Com ele tenho aprendido a ter esperança de fazer de cada novo dia um dia melhor.

Às vezes penso até que já sei alguma coisa, mas então quando tento contribuir com a comunidade ou com a natureza, descubro que sou mesmo um aprendiz.

Veleiro - assinatura fotoBalão- assinatura foto

 

 

 

 

 

 

 

Sensibilizar as pessoas sobre coisas que não dizem respeito diretamente ao bem estar delas requer muita sabedoria, pois diante de tantas lutas, frustrações e objetivos, a tendência é olharmos para o mundo como um local de infinitas possibilidades para realização dos nossos desejos.

Mas como nossos desejos são muitos, cada um tem os seus e a natureza é finita, fica difícil para a mãe natureza atender a todos e tudo ao mesmo tempo agora. É natural do ser humano querer crescer, progredir, melhorar cada dia mais suas condições de vida e de sua família, e esse é o sonho de todos nós. Então, se a natureza é finita e nossos desejos infinitos, quem tem prioridade, as mulheres, crianças, idosos, os mais carentes? Há controvérsias.

De acordo com a lógica de mercado o que garante o acesso ao que extraímos da natureza e transformamos em mercadoria é o dinheiro, quem tem mais, tem mais chances de satisfazer seus desejos. Mas e quando os recursos naturais, como a água, vão ficando cada vez mais escassos e caros, pondo em risco a própria vida?

Bem, embora isso pareça um exagero para quem mora no Brasil, que tem muita água, nos anos 80 trabalhando com projetos de irrigação no Nordeste, na bacia do São Francisco, me lembro de um crime cometido por agricultores familiares contra um produtor rural que estava secando um pequeno rio com suas bombas de irrigação, deixando a comunidade a mingua.

Então, a água é uma mercadoria ou um direito do homem? Sou apenas um aprendiz não tenho a resposta. Mas talvez seja hora de estabelecermos outro tipo de relação com a natureza e entre nós mesmos.

Moramos em uma região sem grandes rios, em uma cidade que no inverno parece um deserto e onde o maior recurso hídrico é um lago artificial construído com dinheiro público. Um lago que tem múltiplos usos: diluição do esgoto tratado, geração de energia, lazer, esporte, turismo e em breve também, abastecimento humano.

Para que esses múltiplos usos sejam sustentáveis e o direito público de acesso ao lago seja garantido a todos precisamos sentar e conversar sobre a urbanização da orla, um projeto que o governo começa por em prática.

Como já disse, sou um aprendiz. Vou voltar para casa e aprender mais com meus filhos e minha esposa e amanhã, no silêncio das águas do Paranoá, verei o sol nascer de novo na esperança de conhecer mais sobre mim mesmo, sobre a vida e como contribuir para um mundo mais justo e sustentável.

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